sábado, 24 de setembro de 2011

Currículo Lote-se



Currículo Lote-se

Não dos pênaltis nem das punhas
batidos nas e pelas peladas.

Não da versalhada escrita à ligeira,
toscamente arranjada, para 
talvez um dia ser vendida,
na feira.

Não dos amigos 
nem dos incidentes de viagens.
Não do frio na barriga, 
nem da cara dura  
e ainda menos das piranhagens.

Não. Nos tempos que correm,
o que se exige do homem,
é que lote-se de "seriedade". Mais: 
que lote-se de "produtividade".

Que escreva artigos, 
que publique trabalhos,
que defenda dissertações, 
que prepare teses.

Para alimentar o insaciável currículo lote-se,
a vida lota-se
de fezes.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

EDUCAME


Mata meu filho.
Mata meu corpo.
Mata o amor.
Mata o sabor
Da carne de porco.
Matame um pouco.
Dorme em meu seio.
Suga meu néctar.
Me puxa o cabelo
E me chama de tua.
Deixame nua
E matame um pouco.
Deita em meu corpo;
Matame pouco.
Chorame torto
Sem pena ou desgosto.
Como minha boca
E chupame toda.
Ama minha alma
Meu erro e meu gosto.
Beija meu rosto
Minha testa e me cheira.
Me leva em teu peito
E rompe minha veia.
Sou tua e em ti.
Me entenda e me queira.
Apenas me aceite
Sem pergunta ou vírgula.
Sentame e me bebe
Meu cuspe e meu leite.

Saudade
Veja a verde mata
montanhosa e nossa
nascendo por detrás do orvalho.
Sinto tua pele dissolvendo
meu corpo e transgredindo
em minha alma natural e úmida.
Percebo o cheiro de mato
arrancando meus olhos donada
e mirando minhas fuças
no mentolado de teus beijos,
e no rebolado de teus quadris.
(Bebo um café para administrar o intelecto
e componho alguns versos para suportarme
semti.)

Verdades provisórias


a presidente do nosso país
não escreve poesia
o governador do nosso estado
não escreve poesia
o prefeito da nossa cidade
não escreve poesia
o técnico
o craque
o camisa 10 da seleção
não escrevem poesia
sequer o beque central do tupi
ou o locutor da rádio am
escrevem poesia

ora, burocratas,
será mesmo preciso trocarmos um de nossos rins
pelo comprovante de residência
que de arte não entende nada?

o que devemos preencher?
que alterações fazer?
os eus – asinus cum lyra –, os outros e a parede
escrevemos poesia,
concêntricas  mixtūrae litterārĭae sem gracejo;
nosso pequeno manual de pseudagem
foi legitimado ao estudado em plena academia –
mordam-se, vacúolos autofágicos!

o quê?
claro que não!
engulam suas mentiras permanentes
e nos deixem os rins
em paz.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Saúdo aos companheiros verdadistas


Saúdo aos companheiros verdadistas,
que na tarde cálida,
me tiram da burrocracia esquálida
para o calor e a cor da poesia da vida!

Gonzaga, nas Minas setecentistas,
dizia em meio tom à ingênua Marília: gozemos!
E hoje, aos poetas da "geração dez", eu digo,
em altos brados:
publiquemos!

Publiquemos e saltemos do anonimato
para a plena luz do dia.
Apesar da crítica,
apesar dos entraves da Funalfa
e apesar dos trambiques dos caras de Brasília.

Saúdo aos companheiros verdadistas
e a eles me junto com minha pouca poesia.
E que de tudo nos sobre o blogue, e a blague
e essa agitação alegre, sem traço de sensaboria.

Ilustração deste post: "La alegría de vivir", de Pablo Picasso. Reprodução disponível para visualização em http://pintura.aut.org/.

Definição

É chama,

Que chama.

Torna-se cinza,

Nubla-se

Desfaz-se e marca

Fica a ausência

Poema Insosso

Não falo

Ou verso

Só em impotências

Também sei

Ou penso

Sobre aparências

Assim, consigo,

sem esforço,

escrever um poema insosso

domingo, 11 de setembro de 2011

Bu!

Não tenho mais paciência pra mim.

Não tenho mais ciência de mim.


Não tenho e não permito meu coração

esboçar sequer saudade de quem me ama

ou de quem me recordo.


Acordo com todas as possibilidades de vida

gritandome ao pé do ouvido

como o apito insano desse maldito trem

que me atravessa.


(e desisto)


Me corta e reparte em mil pixels

de sangue coagulado e negro,

fragmentando meus desejos

e manchando no muro pardo da cidade de cristal

o único nome que nunca assinei,

e pelo qual nunca fui chamado.


Vida.

Fervendo e reverberando, no tempo mudando,

no vento cantando, na vida convalescente.

Vida, verve, verme;

Vermelho e degredo,

Segredo e obscuro.


Linha reta que alumeia e nocauteia.

sábado, 10 de setembro de 2011

Youngueana


Tamo zen demais, minha gente.
Vamo sacudir isso um pouco
Senão nossa sombra vai ficar entediada.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Villa Miseria: Micro Revista de Literatura de distribución gratuita - Villa María/Córdoba/Argentina-

--------------VILLA MISERIA--------------

Editores : Cristian Garcia Pereyra - Mauro Guzmán

La literatura anda por los bares, los kioscos, las veredas.

Hay que atraparla. Villa Miseria reune a escritores del ámbito local,
regional y nacional, los que no son nombrados,
los que no son Best-Sellers,
los que tienen todavía tanto por decir, que gritan sus versos
en papel.

Villa Miseria-----------------El leer es perjudicial para la salud.


Amigos verdadistas: os que se animarem a escrever em espanhol, podem enviar contribuições à revista.