Não tenho métrica,
não enho rima.
Meu verso é livre,
meu verso é branco.
Às vezes,
mais branco
que livre.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
sábado, 28 de janeiro de 2012
Morada
Senta, enverga e sua.
Ela pega na foice,
ela brinca de gente,
ela força um sorriso
pro filho com fome,
ela traz essa vida
entre os dentes.
Ri seu desespero,
com braço enfaixado
de agulha socada
na carne que pulsa,
ela cospe a ferrugem
dos anos a feno,
dos nós desatados,
do leite perdido,
ela cose a esperança,
ela suja essa terra,
com cara de tacho,
com cara de macho,
com tinta caseira
e mão de artista.
Ela sofre o passado,
ela olha ele mesmo,
ela colhe os farrapos
da vila que existe
na palma da mão.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
A Eterna Dança
Uma fina camada separa,
divisao imperceptivelmente imposta.
Distantes, nunca se tocam.
O baile da divergência é formado.
Elegante, a dança conquista
com a simpatia da aparência.
O movimento é calculado,
o espetaculo tem hora , tudo minuciosamente ensaiado.
Ao final a unidade fina traga o individual com prazer infante.
Não houve luta, não houve vaia.
A fina camada triunfa
Mais Uma Jornada
Findada a taça,
cada o corpo perde o norte.
Mais tarde,
lençóis remexidos.
Mana-noite recebe o novo-antigo membro...
Insônia o persegue...
Remorsos vagos e (des)conhecidos consomem.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Da desunião duradoura (trecho)
A separação seria a melhor solução. Assim pensavam os vizinhos, cansados de ouvir os gritos e também os homens da coleta de lixo, cansados de juntar cacos. Mas ela, por pena, e ele, por comodidade, adiavam a decisão indefinidamente.
As cenas já se fizeram corriqueiras. Eles brigam enquanto bebem uma cervejinha, brigam enquanto ela amorosamente lhe prepara a janta, brigam enquanto não dormem, na cama que já dividem há mais de vinte anos.
Antes de dormir, rezam rezas muito íntimas e sem sentido. Agradecem a vida que levam e para tudo dizem amém.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Nos momentos mais difíceis - antes de um poema de A. Augusto
Só hoje me dei conta de
que suas frases soltas
eram para me ajudar!
Antes que me possa desculpar,
quero dizer que percebi
que sempre acreditei
que poderia vencer meu vício
de amar você;
agora, quando me sinto mais só
e vejo o fim ainda mais nítido,
resolvi dizer que me abriguei
em lembranças diversas
para suportar a sua ausência,
e que a saudade, por vezes,
bateu tão forte que até
um corte no meu peito abriu.
Sei que agora é tarde
e que a encontrar a esta
hora seria impossível,
mas não custa registrar:
eu ainda me lembro
que você dizia
nos momentos mais difíceis:
Ah! Se o Zico estivesse jogando...
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Nos momentos mais difíceis [2] - a partir de um poema de H. Tafuri
Nos momentos mais difíceis [2]
Nos momentos mais difíceis,
apelavam pro santo de predileção
ou lamentavam a ausência do Zico
ou afogavam as mágoas ao som dum samba-canção.
De tudo - samba-canção e santo e Zico -,
pouca coisa resta vivível. E pelos templos vazios
da memória fico a buscar (des)caminhos
por onde novamente passear.
Como se os mortos -
que já estiveram vivos antigamente
e torciam pro Zico, e gostavam de samba-canção e rezavam pro santo -,
com devoção,
andassem de novo por sobre a terra.
Confuso, vejo que ninguém segura mais a minha mão.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
cu-rrículo late-se
tola
a vida
ávida
lota-se
atola-se
átomo a átomo
átimo íntimo
a vida viola-se
ao som de uma moda de viola
violenta-se violeta
vinga-se por birra
berra como cabrito
cobra-se carbono
crânio crivo credo
posta-se
postula-se
pústula
porra pende do pau
pro poema ter cara de protesto
manifesto mamífero defeca
suas próprias pernas
povoa-se
linka-se
retweeta-se
neologisa-se à mercê de abnts
eletrocardiogames:
fala-se
escuta-se
apresenta-se
letra a letra & letra
letrante
letreiro
letrista
letrólogo
(le)t(r)úmido
letárgico
pelos poderes de google
acadêmico endêmico piada
lota-se
o ventre
frio
de medo
por medo
a menos que
tudo
vire
bosta
foda-se!
terça-feira, 4 de outubro de 2011
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