sábado, 28 de janeiro de 2012

Morada

Senta, enverga e sua.
Ela pega na foice,
ela brinca de gente,
ela força um sorriso
pro filho com fome,
ela traz essa vida
entre os dentes.
Ri seu desespero,
com braço enfaixado
de agulha socada
na carne que pulsa,
ela cospe a ferrugem
dos anos a feno,
dos nós desatados,
do leite perdido,
ela cose a esperança,
ela suja essa terra,
com cara de tacho,
com cara de macho,
com tinta caseira
e mão de artista.
Ela sofre o passado,
ela olha ele mesmo,
ela colhe os farrapos
da vila que existe
na palma da mão.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Eterna Dança

Uma fina camada separa,

divisao imperceptivelmente imposta.

Distantes, nunca se tocam.

O baile da divergência é formado.

Elegante, a dança conquista

com a simpatia da aparência.

O movimento é calculado,

o espetaculo tem hora , tudo minuciosamente ensaiado.

Ao final a unidade fina traga o individual com prazer infante.

Não houve luta, não houve vaia.

A fina camada triunfa

Mais Uma Jornada

Findada a taça,

cada o corpo perde o norte.

Mais tarde,

lençóis remexidos.

Mana-noite recebe o novo-antigo membro...

Insônia o persegue...

Remorsos vagos e (des)conhecidos consomem.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Da desunião duradoura (trecho)

A separação seria a melhor solução. Assim pensavam os vizinhos, cansados de ouvir os gritos e também os homens da coleta de lixo, cansados de juntar cacos. Mas ela, por pena, e ele, por comodidade, adiavam a decisão indefinidamente. 

As cenas já se fizeram corriqueiras. Eles brigam enquanto bebem uma cervejinha, brigam enquanto ela amorosamente lhe prepara a janta, brigam enquanto não dormem, na cama que já dividem há mais de vinte anos.

Antes de dormir, rezam rezas muito íntimas e sem sentido. Agradecem a vida que levam e para tudo dizem amém.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Nos momentos mais difíceis - antes de um poema de A. Augusto

Só hoje me dei conta de
que suas frases soltas
eram para me ajudar!
Antes que me possa desculpar,
quero dizer que percebi
que sempre acreditei
que poderia vencer meu vício
de amar você;
agora, quando me sinto mais só
e vejo o fim ainda mais nítido,
resolvi dizer que me abriguei
em lembranças diversas
para suportar a sua ausência,
e que a saudade, por vezes,
bateu tão forte que até
um corte no meu peito abriu.
Sei que agora é tarde
e que a encontrar a esta
hora seria impossível,
mas não custa registrar:
eu ainda me lembro
que você dizia
nos momentos mais difíceis:
Ah! Se o Zico estivesse jogando...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Nos momentos mais difíceis [2] - a partir de um poema de H. Tafuri

Nos momentos mais difíceis [2]

Nos momentos mais difíceis,
apelavam pro santo de predileção
ou lamentavam a ausência do Zico
ou afogavam as mágoas ao som dum samba-canção.

De tudo - samba-canção e santo e Zico -,
pouca coisa resta vivível. E pelos templos vazios
da memória fico a buscar (des)caminhos
por onde novamente passear.

Como se os mortos -
que já estiveram vivos antigamente
e torciam pro Zico, e gostavam de samba-canção e rezavam pro santo -,
com devoção,
andassem de novo por sobre a terra.

Confuso, vejo que ninguém segura mais a minha mão.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Poema Panfleto

Trago
a
pessoa
amada
em
três
dias.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

cu-rrículo late-se


tola
a vida
ávida
lota-se
atola-se
átomo a átomo
átimo íntimo
a vida viola-se
ao som de uma moda de viola
violenta-se violeta
vinga-se por birra
berra como cabrito
cobra-se carbono
crânio crivo credo
posta-se
postula-se
pústula
porra pende do pau
pro poema ter cara de protesto
manifesto mamífero defeca
suas próprias pernas

povoa-se
linka-se
retweeta-se
neologisa-se à mercê de abnts
eletrocardiogames:
fala-se
escuta-se
apresenta-se
letra a letra & letra
letrante
letreiro
letrista
letrólogo
(le)t(r)úmido
letárgico

pelos poderes de google
acadêmico endêmico piada
lota-se
o ventre
frio
de medo
por medo
a menos que
tudo
vire
bosta

foda-se!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Surda e Sonora

Vi
Vilão
Veloz
Fazer
Façanhas
Fúteis
Quebrar
Gritando
Vidoro
Fosco

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

"Edital para recepção de poesias da Revista Encontro Literário"

Revista Encontro Literário
Edital 02 de 2011 (Poesia)

A Revista Encontro Literário tem como objetivo fomentar a produção literária, bem como o prazer da leitura. Para isso, iremos publicar dois editais: o do primeiro semestre será dedicado ao gênero Conto e o edital do segundo semestre será contemplado o gênero Poesia.

REGULAMENTO
Art. 1º – A Revista Encontro Literário, por meio deste edital, abre inscrições para publicação de Poesias, com temática livre.
§ 1º – As inscrições serão gratuitas.
§ 2º – Ao se inscreverem, todos os candidatos aceitarão automaticamente todas as cláusulas e condições estabelecidas no presente regulamento.
Art. 2º - Serão consideradas duas categorias, a saber: Categoria Juvenil (de 12 aos 17 anos) e Categoria Adulta (a partir de 18 anos)

Das inscrições
Art. 3º – Podem participar do edital quaisquer pessoas, desde que o texto seja escrito em língua portuguesa.
Art. 3º – As inscrições serão realizadas através do e-mail revistaencontroliterario@yahoo.com.br no período de 15 de setembro a 30 de outubro de 2011.
Parágrafo único – Não serão aceitos textos discriminatórios, pornográficos ou que façam apologia às drogas.
Art. 4º – Cada participante pode se inscrever com 1 (um) trabalho. As poesias devem ser inéditas, ou seja, que ainda não foram publicadas em livros, jornais ou outros meios.
§ 1º – As poesias devem ser enviadas em arquivo Word (preferencialmente versão 2003), para o e-mail revistaencontroliterario@yahoo.com.br
§ 2º - No campo assunto deve ser mencionado a categoria pertencente (juvenil ou adulta).
§ 3º - Em arquivo separado da obra, devem ser enviadas as seguintes informações: título da obra e dados pessoais (nome completo, endereço, telefone de contato, e-mail) bem como um breve currículo.
§ 4º - Os trabalhos devem ser digitados em editor de texto eletrônico Word ( preferencialmente versão 2003) seguindo as seguintes configurações:

a) Fonte Arial ou Times Roman, tamanho 12;
§ 1º – Ao enviar as produções literárias o participante tem a plena consciência de que autoriza a Revista Encontro Literário a publicar suas obras sem nenhuma espécie de ônus para a revista.
§ 2° – Os autores que tiverem suas obras selecionadas para publicação receberão como premiação certificado de Menção Honrosa.
b) Espaçamento entre linhas de 1,5 cm.
c) Cada poesia não deve exceder o limite de 02 (duas) laudas.
Art. 5º – Serão selecionadas 3 poesias em cada categoria, para publicação no site da Revista Encontro Literário, inscrito no endereço http://www.revistaencontroliterario.blogspot.com/

Da comissão julgadora
Art. 6º – A Comissão Julgadora é composta pelos editores e colaboradores da Revista.
Parágrafo único – A Comissão Julgadora terá autonomia no julgamento, que será regido pelos princípios de originalidade. A decisão da comissão é irrevogável.

Do resultado
Art. 7º – O resultado do Concurso será divulgado em dezembro de 2011 no site www.revistaencontroliterario.blogspot.com. A publicação das obras selecionadas acontecerá no mesmo mês.

Das disposições finais
Art. 8º – Os casos omissos serão decididos pelos Editores da Revista.
Juiz de Fora, 14 de setembro de 2011.

Editores
Raphael Reis
Paulo Tostes
Aílton Augusto