Um tom, arpejo agu
doendo nas águas do reló
gioconda rindo em fingimen
- toli -
sintaxe do de Andrade.
Mas vem com ira e canivete
do piano ao muito forte, marchemos!
A corda soprana canta a linha melódica
dos sádicos movidos a vara:
barítono, baixo, mais baixo
(mais lento)
mais baixo a música toca e toca e toca...
Um som, de só repe
te amo-lher que bebe whis
quisera fazer esse baila
- doide -
rapaz que canta os lo
boçais da madruga
dançarinos da guitarra.
Encanto, do ventre e dos ouvi
duzentas badaladas da batu
tateia a pauta inconclu
zanzando no vácuo oitava
doente sangue da harmoni
avante murmúrio que termina.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
1ª Canção de amor
Tuas asas me bastam –
ao meu sonhar ininterrupto,
ao meu ofício em ócio
ou pressa.
Meu peito te basta ao coração –
teu perfeito leito imutável,
intransponível morada onde repousas
tua pele de rosa/fonte.
Saudade de ti não me rompe a carne,
faz cócegas! Dela caçoo
enquanto passeio por entre nossas
paisagens por ter em mim a certeza
de sempre te alcançar.
Teu sorriso me basta à vida
por iluminá-la, arrebatá-la
como fogos de artifício a
adornar o céu de tua mansidão.
Temor não tenho
porque perder-te seria ter
amor amputado do que me do corpo sobrasse:
sombra apenas só!
És meus passos pois fazemos
o caminho conhecido, juntos,
e teamar! hoje se equipara
a respirar.
Mora em ti a ilusão do verso –
gesto extremo ao que
se mova (aí) fora da canção.
Ao meu grande único e exato amor por sermos completos pelo outro sempre, Vanete Oliveira.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
... da série "Minhas criações alheias"
3. O que me deste (a partir de um poema de Camila Fonseca de Oliveira)
O apreço que diz não me ter,
eu nunca o quis receber.
Seu sentimento,
com meu consentimento,
fez-se pau, pedra, cimento.
Não, não me ofereça o seu lamento:
a mim me basta minha própria dor,
que a um só tempo é alento e é prazer.
Mórbido que seja,
há gosto para tudo.
Há apetite para tudo.
E contudo deixo-me prender,
recebendo, mas fingindo não querer,
sua luxúria e sua cobiça e sua preguiça,
só para me satisfazer.
O apreço que diz não me ter,
eu nunca o quis receber.
Seu sentimento,
com meu consentimento,
fez-se pau, pedra, cimento.
Não, não me ofereça o seu lamento:
a mim me basta minha própria dor,
que a um só tempo é alento e é prazer.
Mórbido que seja,
há gosto para tudo.
Há apetite para tudo.
E contudo deixo-me prender,
recebendo, mas fingindo não querer,
sua luxúria e sua cobiça e sua preguiça,
só para me satisfazer.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Nonada
– “Meu amor!...”
viver é muito perigoso
pão ou pães, é questão de sertães...
aqui a estória se acabou.
aqui, a estória acabada.
aqui a estória acaba.
eu quase que nada não sei.
mas desconfio de muita coisa.
falsa
verdadeira
inventada.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
A queda
Esta é uma tentativa de letra de música nos idos de quando eu ainda tentava me entender com o violão!
Ficam as letras vão-se os acordes!
ei irmão
não faça assim comigo, não!
a lei que você obedece
daqui a pouco você a esquece.
só quer levar vantagem,
apela para a malandragem;
até pensa em derrubar os outros,
pois tudo para você é pouco.
quando eu o avisei,
você não me escutou,
agindo como um rei
você escorregou.
ei irmão
agora pede ajuda,
mas só ouve: não!
não há quem o acuda!
aqueles em que você pisou,
são os mesmos que lhe viram as costas.
no fundo do poço você chegou
ao perder apostas.
você tem uma 2ª chance,
veja se a aproveita;
o perdão a seu alcance:
mas traição ninguém aceita!
que fazer o bem é o que está certo;
nela você acreditou
e agora está mais esperto!
Em silêncio
Ensina-me a sofrer
em silêncio
enquanto vivo em demasia;
ensina-me a chorar
quieto, menina,
quando tudo não passar
de gozo ou histeria.
Dias 05 e 06/02/2011 - Agenda Literária Cidade 2011
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Silêncios desbocados
Para cada palavra aranha:
uma teia de lembranças!
Para cada palavra grama:
uma saudade obesa come!
Para cada palavra manca:
um silêncio desbocado corre!
Para cada distância marota:
um mar oco repleto de abismos!
Para cada trôpego sucesso:
uma rosa cor de chumbo eterna!
Para cada gesto mudo:
o mundo inteiro surdo chora!
Para cada passo púrpura:
um azul sorriso contundente!
Para cada sobremesa:
um sobressalto calculado!
Para cada arranha-céu:
um esparadrapo cor de estrela!
Para cada porta fechada:
mil janelas abertas e um até já!
Para cada pão dormido:
um bom dia sem pensar!
Para cada palavra morte:
um perpétuo silêncio doce,
um último pijama novo,
um banquete natural aos vermes
e à paz que rói nossos calcanhares.
Ouro: XVIII Concurso Nacional de Poesia “Acad. Florestan Japiassu Maia”
Ogiva
meu coração –
esta ogiva –
te porta em caos:
aos berros bates a porta –
que não é verbo! –
sais sem ais nem uis
deixas de minha boca uais
pendendo à procura de sôs
conclusivos puta que pariu
me escapa no lugar de por quê?
meu coração –
esta marquês de sapucaí pocket –
te recebe em festa
raiva rugiu regeu o caos da outra estrofe
mas amor é bálsamo é vacina é o que há
de bão! urros agora são sussurros
socos e pontapés nem pela imaginação
passaram – arma de poeta é lágrima
preta posta na folha de papel!
meu coração –
esta caixinha de música –
te embala bailarina terno
ainda que te oferte rima brega
coitado: quem mandou gostar de
roberto & erasmo!
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Amores virtuais (poesia)
Amores virtuais
Conheceu à distância uma pessoa que insinuou lhe querer bem.
Despreparado que estava para o amor,
desnudou sua alma para esse alguém.
Acertou? Errou? Não sei.
Teve apenas que aceitar esse torpor
de ver partir um amor de imaginação.
E não guarda rancor a essa pessoa de longe,
(pelo menos é o que diz)
Moral da história: no mundo real ou no virtual,
segue valendo a pieguice de que amores vêm e vão.
Conheceu à distância uma pessoa que insinuou lhe querer bem.
Despreparado que estava para o amor,
desnudou sua alma para esse alguém.
Acertou? Errou? Não sei.
Teve apenas que aceitar esse torpor
de ver partir um amor de imaginação.
E não guarda rancor a essa pessoa de longe,
(pelo menos é o que diz)
Moral da história: no mundo real ou no virtual,
segue valendo a pieguice de que amores vêm e vão.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Éter rubro
não minto nem sinto:
escrevo.
há razão para tal?
se há ou talvez mesquinhez
do poeta: palavra!
labirinto da memória
visão casual ou destaque
não ter asas não me pesa
anjos não me vêm ao nascimento diário
punheto o verso durante a madrugada
para aplacar a fome pseudofurto fodo fácil
fótons humilde fraco sobre frascos pútridos
ejaculo: letras minhas em rebanho estrangulam
o papel. escrevo não pelo nobel
ou por querer ser noel, não,
não há razão oh hímen eterno!
sou fulano escondido na frente
do palco sem pano chamado título
mistura de mimese rapsódia e sentir.
o mentiroso aqui é você,
leitor foca, que fez sem faca dessa gagueira
um texto com intenção.
sou vinho
e este: minha garrafa de
anarco/lutos.
Ao querido amigo & companheiro de hospício, Raul Furiatti Moreira
escrevo.
há razão para tal?
se há ou talvez mesquinhez
do poeta: palavra!
labirinto da memória
visão casual ou destaque
não ter asas não me pesa
anjos não me vêm ao nascimento diário
punheto o verso durante a madrugada
para aplacar a fome pseudofurto fodo fácil
fótons humilde fraco sobre frascos pútridos
ejaculo: letras minhas em rebanho estrangulam
o papel. escrevo não pelo nobel
ou por querer ser noel, não,
não há razão oh hímen eterno!
sou fulano escondido na frente
do palco sem pano chamado título
mistura de mimese rapsódia e sentir.
o mentiroso aqui é você,
leitor foca, que fez sem faca dessa gagueira
um texto com intenção.
sou vinho
e este: minha garrafa de
anarco/lutos.
Ao querido amigo & companheiro de hospício, Raul Furiatti Moreira
Assinar:
Postagens (Atom)