segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Colaboração internacional

Com a licença dos amigos verdadistas e dos nossos eventuais leitores, vou integrar a este espaço (que já se tornou espaço alternativo depois que o projeto gorou...) dois poetas argentinos, também estudantes de Letras: Mauro Guzmán e Cristian Pereyra. Se bem os nomes deles já constam na lista de autores deste blog há algum tempo, faltava de minha parte uma apresentação formal para que as postagens deles fiquem bem situadas e esclarecido o porquê de elas virem parar aqui. A continuação coloco esta mesma apresentação em castelhano para que eles também possam ler e saber que as portas deste blog estão abertas e que podem começar a publicar.

Traducción al castellano:

Con permiso de los amigos "verdadistas" y de nuestros lectores eventuales, voy a integrar en este espacio (que ya se ha vuelto espacio alternativo después que el proycto falló...) dos poetas argentinos, también estudiantes de Letras: Mauro Gúzman y Cristian Pereyra. Si bien sus nombres ya aparecen en la lista de autores del blog hace tiempo, hacía falta una presentación de mi parte para que sus postajes quedaran contextualizadas y se aclarara el porqué de ellas.

Chicos: hice la traducción para que pudieran leer y saber que ya están abiertas las puertas del blog a los textos de ustedes dos. Les doy la bienvenida.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Orquestra

Um tom, arpejo agu
doendo nas águas do reló
gioconda rindo em fingimen
- toli -
sintaxe do de Andrade.

Mas vem com ira e canivete
do piano ao muito forte, marchemos!
A corda soprana canta a linha melódica
dos sádicos movidos a vara:
barítono, baixo, mais baixo

(mais lento)
mais baixo a música toca e toca e toca...

Um som, de só repe
te amo-lher que bebe whis
quisera fazer esse baila
- doide -
rapaz que canta os lo
boçais da madruga
dançarinos da guitarra.

Encanto, do ventre e dos ouvi
duzentas badaladas da batu
tateia a pauta inconclu
zanzando no vácuo oitava
doente sangue da harmoni
avante murmúrio que termina.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

1ª Canção de amor


Tuas asas me bastam –
ao meu sonhar ininterrupto,
ao meu ofício em ócio
ou pressa.
Meu peito te basta ao coração –
teu perfeito leito imutável,
intransponível morada onde repousas
tua pele de rosa/fonte.
Saudade de ti não me rompe a carne,
faz cócegas! Dela caçoo
enquanto passeio por entre nossas
paisagens por ter em mim a certeza
de sempre te alcançar.

Teu sorriso me basta à vida
por iluminá-la, arrebatá-la
como fogos de artifício a
adornar o céu de tua mansidão.
Temor não tenho
porque perder-te seria ter
amor amputado do que me do corpo sobrasse:
sombra apenas só!

És meus passos pois fazemos
o caminho conhecido, juntos,
e teamar! hoje se equipara
a respirar.

Mora em ti a ilusão do verso –
gesto extremo ao que
se mova (aí) fora da canção.

Ao meu grande único e exato amor por sermos completos pelo outro sempre, Vanete Oliveira.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

... da série "Minhas criações alheias"

3. O que me deste (a partir de um poema de Camila Fonseca de Oliveira)

O apreço que diz não me ter,
eu nunca o quis receber.

Seu sentimento,
com meu consentimento,
fez-se pau, pedra, cimento.

Não, não me ofereça o seu lamento:
a mim me basta minha própria dor,
que a um só tempo é alento e é prazer.

Mórbido que seja,
há gosto para tudo.
Há apetite para tudo.

E contudo deixo-me prender,
recebendo, mas fingindo não querer,
sua luxúria e sua cobiça e sua preguiça,
só para me satisfazer.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Nonada


– “Meu amor!...”
viver é muito perigoso
pão ou pães, é questão de sertães...

aqui a estória se acabou.
aqui, a estória acabada.
aqui a estória acaba.

eu quase que nada não sei.
mas desconfio de muita coisa.

falsa
verdadeira
inventada.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A queda

Esta é uma tentativa de letra de música nos idos de quando eu ainda tentava me entender com o violão!
Ficam as letras vão-se os acordes!

ei irmão
não faça assim comigo, não!
a lei que você obedece
daqui a pouco você a esquece.

só quer levar vantagem,
apela para a malandragem;
até pensa em derrubar os outros,
pois tudo para você é pouco.

quando eu o avisei,
você não me escutou,
agindo como um rei
você escorregou.

ei irmão
agora pede ajuda,
mas só ouve: não!
não há quem o acuda!

aqueles em que você pisou,
são os mesmos que lhe viram as costas.
no fundo do poço você chegou
ao perder apostas.

você tem uma 2ª chance,
veja se a aproveita;
o perdão a seu alcance:
mas traição ninguém aceita!

a vida lhe mostrou

que fazer o bem é o que está certo;

nela você acreditou
e agora está mais esperto!

Em silêncio


Ensina-me a sofrer
em silêncio
enquanto vivo em demasia;

ensina-me a chorar
quieto, menina,
quando tudo não passar
de gozo ou histeria.

Dias 05 e 06/02/2011 - Agenda Literária Cidade 2011

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Silêncios desbocados


Para cada palavra aranha:
uma teia de lembranças!
Para cada palavra grama:
uma saudade obesa come!
Para cada palavra manca:
um silêncio desbocado corre!
Para cada distância marota:
um mar oco repleto de abismos!
Para cada trôpego sucesso:
uma rosa cor de chumbo eterna!
Para cada gesto mudo:
o mundo inteiro surdo chora!
Para cada passo púrpura:
um azul sorriso contundente!
Para cada sobremesa:
um sobressalto calculado!
Para cada arranha-céu:
um esparadrapo cor de estrela!
Para cada porta fechada:
mil janelas abertas e um até já!
Para cada pão dormido:
um bom dia sem pensar!
Para cada palavra morte:
um perpétuo silêncio doce,
um último pijama novo,
um banquete natural aos vermes
e à paz que rói nossos calcanhares.

Ouro: XVIII Concurso Nacional de Poesia “Acad. Florestan Japiassu Maia”

Ogiva

meu coração –
esta ogiva –
te porta em caos:

aos berros bates a porta –
que não é verbo! –
sais sem ais nem uis
deixas de minha boca uais
pendendo à procura de sôs
conclusivos puta que pariu
me escapa no lugar de por quê?

meu coração –
esta marquês de sapucaí pocket –
te recebe em festa
raiva rugiu regeu o caos da outra estrofe
mas amor é bálsamo é vacina é o que há
de bão! urros agora são sussurros
socos e pontapés nem pela imaginação
passaram – arma de poeta é lágrima
preta posta na folha de papel!

meu coração –
esta caixinha de música –
te embala bailarina terno
ainda que te oferte rima brega
coitado: quem mandou gostar de
roberto & erasmo!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Amores virtuais (poesia)

Amores virtuais

Conheceu à distância uma pessoa que insinuou lhe querer bem.
Despreparado que estava para o amor,
desnudou sua alma para esse alguém.

Acertou? Errou? Não sei.
Teve apenas que aceitar esse torpor
de ver partir um amor de imaginação.
E não guarda rancor a essa pessoa de longe,
(pelo menos é o que diz)

Moral da história: no mundo real ou no virtual,
segue valendo a pieguice de que amores vêm e vão.