terça-feira, 26 de outubro de 2010

A queda

Esta é uma tentativa de letra de música nos idos de quando eu ainda tentava me entender com o violão!
Ficam as letras vão-se os acordes!

ei irmão
não faça assim comigo, não!
a lei que você obedece
daqui a pouco você a esquece.

só quer levar vantagem,
apela para a malandragem;
até pensa em derrubar os outros,
pois tudo para você é pouco.

quando eu o avisei,
você não me escutou,
agindo como um rei
você escorregou.

ei irmão
agora pede ajuda,
mas só ouve: não!
não há quem o acuda!

aqueles em que você pisou,
são os mesmos que lhe viram as costas.
no fundo do poço você chegou
ao perder apostas.

você tem uma 2ª chance,
veja se a aproveita;
o perdão a seu alcance:
mas traição ninguém aceita!

a vida lhe mostrou

que fazer o bem é o que está certo;

nela você acreditou
e agora está mais esperto!

Em silêncio


Ensina-me a sofrer
em silêncio
enquanto vivo em demasia;

ensina-me a chorar
quieto, menina,
quando tudo não passar
de gozo ou histeria.

Dias 05 e 06/02/2011 - Agenda Literária Cidade 2011

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Silêncios desbocados


Para cada palavra aranha:
uma teia de lembranças!
Para cada palavra grama:
uma saudade obesa come!
Para cada palavra manca:
um silêncio desbocado corre!
Para cada distância marota:
um mar oco repleto de abismos!
Para cada trôpego sucesso:
uma rosa cor de chumbo eterna!
Para cada gesto mudo:
o mundo inteiro surdo chora!
Para cada passo púrpura:
um azul sorriso contundente!
Para cada sobremesa:
um sobressalto calculado!
Para cada arranha-céu:
um esparadrapo cor de estrela!
Para cada porta fechada:
mil janelas abertas e um até já!
Para cada pão dormido:
um bom dia sem pensar!
Para cada palavra morte:
um perpétuo silêncio doce,
um último pijama novo,
um banquete natural aos vermes
e à paz que rói nossos calcanhares.

Ouro: XVIII Concurso Nacional de Poesia “Acad. Florestan Japiassu Maia”

Ogiva

meu coração –
esta ogiva –
te porta em caos:

aos berros bates a porta –
que não é verbo! –
sais sem ais nem uis
deixas de minha boca uais
pendendo à procura de sôs
conclusivos puta que pariu
me escapa no lugar de por quê?

meu coração –
esta marquês de sapucaí pocket –
te recebe em festa
raiva rugiu regeu o caos da outra estrofe
mas amor é bálsamo é vacina é o que há
de bão! urros agora são sussurros
socos e pontapés nem pela imaginação
passaram – arma de poeta é lágrima
preta posta na folha de papel!

meu coração –
esta caixinha de música –
te embala bailarina terno
ainda que te oferte rima brega
coitado: quem mandou gostar de
roberto & erasmo!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Amores virtuais (poesia)

Amores virtuais

Conheceu à distância uma pessoa que insinuou lhe querer bem.
Despreparado que estava para o amor,
desnudou sua alma para esse alguém.

Acertou? Errou? Não sei.
Teve apenas que aceitar esse torpor
de ver partir um amor de imaginação.
E não guarda rancor a essa pessoa de longe,
(pelo menos é o que diz)

Moral da história: no mundo real ou no virtual,
segue valendo a pieguice de que amores vêm e vão.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Éter rubro

não minto nem sinto:
escrevo.
há razão para tal?
se há ou talvez mesquinhez
do poeta: palavra!
labirinto da memória
visão casual ou destaque
não ter asas não me pesa
anjos não me vêm ao nascimento diário
punheto o verso durante a madrugada
para aplacar a fome pseudofurto fodo fácil
fótons humilde fraco sobre frascos pútridos
ejaculo: letras minhas em rebanho estrangulam
o papel. escrevo não pelo nobel
ou por querer ser noel, não,
não há razão oh hímen eterno!
sou fulano escondido na frente
do palco sem pano chamado título
mistura de mimese rapsódia e sentir.
o mentiroso aqui é você,
leitor foca, que fez sem faca dessa gagueira
um texto com intenção.

sou vinho
e este: minha garrafa de
anarco/lutos.

Ao querido amigo & companheiro de hospício, Raul Furiatti Moreira

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

First

Saudações verdadistas. Inauguro minha primeira postagem com um poema feito para a Oficina do prof. Gilvan. Falar sobre amor sem cair no clichê, coisa maldita de difícil. Vale lembrar que, conscientemente, roubei uma ideia do poema "Amor", uma pequena pérola do nosso sisudo Pet. Abraços

Alguma possibilidade

Amor descolore cabelo,
do púbis poda pêlo,
omite desmazelo com
entulhos no guarda-roupa.

Aparece no primeiro dia,
solta fogos de alegria,
mas não fala que um dia
comprará cigarros.

Põe pinga na garrafa pet,
se tranca na kit-net e
vasculha a internet
atrás da prova do crime.

Aponta outro referente,
esquece em que já foi crente,
mesmo que ele só tente
ser aquilo outra vez.


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Brincadeira (poesia)

Brincadeira

- Foi brincadeira, desculpe se te ofendeu.
- Não, esteja tranquilo. Não guardo rancor.
- Oh, por favor, me desculpe. Não tinha a intenção.
- Que nada, eu que disse uma palavra errada, mote à avacalhação. O culpado fui eu.
- E por colocar tantos panos quentes, o pobre se f...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

... e outro mais

Hoje acrescento ao blog outro poema da série "Minhas criações alheias". Me alegraria se houvessem comentários!

7. A mala da moça, a moça da mala (a partir de um poema de Peterson Basílio)

Não sei em que pensaria a mala da moça
se possível fosse a essa mala pensar.
Menos ainda o que pensa a moça da mala,
de quem só sei que a mala é uma sombra furtiva
As duas constantemente juntas em todo e qualquer lugar.

Mala suerte a minha
que dependo dessa mala, dessa moça
para ter minha parcela de alegria.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Mais um...

E aqui mais um poema da série "As minhas criaçoes alheias", projeto que foi proposto por Hernany Tafuri e que consiste em que cada um de nós crie algo a partir de uma frase, de uma idéia, uma imagem que exista nos poemas de nossos colegas de "Verdades Provisórias"


2. XXXI (a partir de um poema de Edmon Neto de Oliveira)

Uma vez que se riscou os manuscrito,
e já foi dado o grito,
(grito de pretensa interação)
poder-se-ia então dialogar.

Mas cadê as palavra
desses nego foda,
que briga, que deita e que rola
quando surge alguma intriga?

Somem no nada.
Se fundem no apito do trem que passa.
Ou se diluem na densa fumaça
dos que comungam sentados naquela esquina.

De um jeito ou de outro,
"nego viaja nego pira".